comportamento

Já ouviu falar de distorção de imagem corporal?

Esses tempos atrás eu recebi uma foto que minha mãe encontrou em alguma pasta obscura do notebook dela. Eu deveria ter por volta de uns 15 anos quando a tirei. Gente… Eu literalmente me assustei ao vê-la. Não conseguia lembrar daquela Mariane da foto, nem daquele corpo que eu tive um dia. Eu era magra, mas não conseguia me enxergar como tal. Foram tantos anos sofrendo bullying, sendo ofendida, sendo jogada no limbo, que tudo que sobrou ali foi uma pessoa incapaz de se sentir bonita, que tinha um corpo supostamente problemático e que precisava fazer dietas mirabolantes para atingir aquilo que eu achava que seria o ideal.

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Sim, meus amigos, essa era eu

 

Eu só consigo me lembrar de coisas ruins dessa época. Eu havia me mudado de cidade há +/- 3 anos, e, desde então, eu era motivo de chacota por tudo. Até hoje não entendo porque eu era alvo, mas as pessoas adoravam pegar no meu pé e desfazer de mim. Eu bancava a forte, mas, no fundo, planejava dietas mirabolantes para conseguir ficar, teoricamente, magra. Fiz a da lua, da USP, de comer apenas 1x ao dia (e com porção mínima), ficar sem comer o dia todo, ingerir só líquidos, tomar só sopa, tomar shakes de farmácia, fazer uso de sibutramina, enfim… Daria pra eu ficar um bom tempo escrevendo quais dietas já fiz ao longo da minha vida (em especial na adolescência). Nesse período, eu também busquei tomar laxantes e vomitar o que comia.

Mas onde quero chegar com isso? Eu quero conscientizar as pessoas de que a distorção de imagem corporal é algo mais sério do que se imagina.

Vamos começar do começo (alô, pleonasmo!).

Você sabe o que é distorção de imagem corporal?
Bom, eu te explico de forma bem básica: a distorção de imagem corporal se dá quando uma pessoa se enxerga de forma completamente diferente do que ela éEla cria uma imagem irreal de si.

A distorção da imagem corporal engloba os seguintes aspectos:
  • Cognitivos: expectativa irreal de possuir um “modelo” corporal especifico
  • Comportamentais: evitam situações nas quais o corpo possa estar em evidência
  • Perceptuais: super-estima do tamanho do corpo
Fonte: http://gatda.com.br/index.php/2016/02/26/imagem-corporal/

Na grande maioria das vezes, a distorção de imagem carrega doenças psicológicas como bulimia e anorexia, onde os pacientes procuram maneiras de tentar chegar ao corpo que eles idealizaram.

Mas quais são os sinais da distorção da imagem corporal?

  • Grande insatisfação com o corpo, que se manifesta como uma “repulsa” do mesmo.
  • Negação da “magreza”, ainda que a pessoa esteja com um peso extremamente baixo.
  • Contínuos comentários e queixas de que está “gorda”, ainda que tenha um peso abaixo do saudável.
  • Queixas de insatisfação com o corpo, acreditando que a única forma de “melhorar” esta insatisfação é perdendo mais peso ( o que contribui para que sejam iniciadas, e/ou mantidas dietas restritivas, e o uso de laxantes, diuréticos e/ou vômitos).
  • Emoções e reações negativas sobre seu próprio corpo.
  • Queixas freqüentes sobre “defeitos” no corpo, ainda que sejam imperceptíveis para o resto das pessoas que convivem com a paciente.
  • “Enxergar” o tamanho de certas partes do seu corpo maiores do que são.
  • Evitar certas situações em que tenha que mostrar alguma parte do corpo (biquínis, minissaias, camisetas, etc..
  • Esconder ou dissimular certas partes do corpo. Usando roupas largas, varias “camadas” de roupas, mangas compridas, etc.
  • Baixa autoestima, a qual depende totalmente do peso que tenha. Vai perdendo o interesse por atividades e coisas que antes desfrutava.
  • Obsessão com relação a espelhos fazendo com que a pessoa fique constantemente “checando” a sua imagem
  • Comparação frequente com o corpo de alguma amiga, ou apenas comumente: com o corpo de uma celebridade ou alguém da mídia.
Fonte: http://gatda.com.br/index.php/2016/02/26/imagem-corporal/ 

Eu não fazia ideia de que sofria de distorção da minha imagem. Eu achava que deveria, de qualquer maneira, emagrecer, independente da forma que fosse. E não foi à toa que desenvolvi compulsão alimentar. Depois de tanto tentar, tanto me maltratar, de viver à base de tentar alcançar corpos de modelos, de achar que terrorismo nutricional poderia me ajudar a ser aquilo que eu teoricamente achava que eu deveria ser, meu corpo e meu psicológico pediram arrego e tudo virou uma bola de neve.

Por isso, quero levar essa informação a vocês. É mais do que importante vocês atentarem a si e, principalmente, às crianças e adolescentes que estão ao seu redor. É justamente nesse período de formação de opinião que eles podem passar por problemas sérios de autoimagem, e desenvolver problemas psicológicos. Além disso, atentem-se ao que seus filhos estão reproduzindo por ai. Não incentive-os a serem pessoas mesquinhas e maldosas para satisfazerem seus próprios egos. Todos nós temos sentimentos e ninguém merece ter que lidar com comentários maldosos diariamente.

Lembrando que: uma opinião, quando usada de forma maldosa, deixa de ser opinião e passa para ofensa. Na dúvida, guarde para si.

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