comportamento

Alimentação infantil realmente é prioridade?

Um gordo adulto se desgasta diariamente. Seja em um transporte público, na busca de uma roupa, em se sentir bonito, em se amar. Agora, imagine como uma criança gorda se sente, sendo que está criando ainda seus ideais, suas formas de pensar, ainda está sendo moldada pela sociedade e depende dos fatores ao seu redor para definir seu amor próprio e seus desejos e anseios. Eu vou falar por experiência própria: a criança se sente um lixo quando menosprezada ou tratada como se fosse um monstro, e ela tende a ter n problemas psicológicos por conta disso, inclusive compulsão alimentar, bulimia e anorexia, pois ela procura todos os meios possíveis de se adequar, mesmo ainda estando em uma fase que ela não tem noção de muitas coisas.

Mas por que estou abordando esse tema? Saiu essa semana uma cartilha que foi distribuída à crianças de uma escola de São José dos Campos (SP) onde colocaram de forma agressiva uma alusão à obesidade infantil, vide imagem abaixo:

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Eu não sei quem teve a esdrúxula ideia de fazer esse tipo de abordagem, mas coloco minha mão no fogo que foi de uma pessoa magra e que não tem nem um pingo de tato, que não procurou um profissional especializado em abordagem infantil e muito menos pensou por alguns segundos o que essa imagem poderia trazer de malefícios. Esse tipo de imagem reforça, mais uma vez, não só como o padrão gordo é visto como também incentiva o bullying na escola, afinal, uma criança que tem um coleguinha gordo vai achar que está tudo bem chamá-lo de “botijão”, oras, já que está sendo ensinado na escola!

Mas eu quero ir além nesta postagem. Sabemos que a alimentação, especialmente de crianças, precisa ser muito bem cuidada para que evitem danos de saúde. Mas sabemos melhor ainda que no dia-a-dia é bem diferente. Estamos cercados 24 horas por dia, 7 dias por semana por refeições supercalóricas, por propagandas que incentivam a alimentação de produtos cheios de conservantes, por escolas públicas que não fornecem o básico para crianças que, muitas vezes, tem somente aquilo para se alimentar, temos uma rotina diária louca onde, muitas vezes, os pais não conseguem ter tempo suficiente para parar e fazer refeições saudáveis para seus filhos; dão dinheiro para que comprem lanche na escola, não os ensinam desde pequenos a aprender a comer legumes, saladas, menos sódio, menos refrigerante, etc. Eu não estou aqui para apontar problemas em educações paternais, até porque, no combo de correria do dia-a-dia + educação familiar, eles também carregam consigo aquilo que aprenderam em casa e muitas vezes não enxergam certos pontos.

Vou relembrar aqui de algo que aconteceu com a Bela Gil, quando ela mostrou uma foto da marmita/lancheira da filha dela e isso gerou a maior polêmica na internet.

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Dentre os comentários soltados no post de Bela, vou separar alguns que vão chegar ao ponto que quero chegar:

“Mas Mariane, as pessoas estavam brincando!”
Não, meu povo. Eu lembro que esse caso me despertou uma curiosidade imensa e eu acompanhei tanto o Twitter quanto o Facebook da Bela na época e vi a quantidade de comentários grosseiros e rudes de pessoas que estavam inconformadas pela marmita da filha dela ter sido feita daquele jeito e da Bela falar que ela gostava de comer aquilo e que pedia aqueles itens. Tinha muita gente inconformada de que a menina não levava na lancheira itens super processados e cheios de açúcares, que ela não aproveitava a infância, etc.

Então, finalmente, eu vou chegar no ponto principal de todo esse meu post: até que ponto vocês realmente se preocupam com a alimentação e a saúde de uma criança e até que ponto vocês somente não as querem ver gordas, assim como fazem com adultos?

Se a preocupação é com a forma de alimentação, onde estão as campanhas de incentivo para tal? Onde estão as refeições balanceadas nas escolas, em especial nas públicas? Onde está o governo que não cria medidas para que as empresas diminuam os níveis de sódio e açúcares em seus produtos? Onde estão os profissionais da saúde que tanto amam criticar gordos mas que não levantam uma bandeira sequer para fazer movimentos sociais de incentivo a uma alimentação mais saudável desde pequenos?

Mais uma vez, vocês estão pensando somente na forma física das pessoas, e não na saúde. Mais uma vez, vocês estão incentivando o bullying na escola. Mais uma vez vocês estão deixando de lado o psicológico de crianças, porque se a preocupação da massa fosse realmente em educar crianças a comer de forma mais saudável (eu não estou falando de radicalismos, hein!), a lancheira da filha da Bela Gil não teria causado tanto frisson na internet como causou.

Pensem bem.

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